Síndrome do número 2

Sim, ela existe, provavelmente não com esse nome, que eu acabo de inventar, mas não dá para negar que há uma certa pressão – e tensão – em lançar um número 2. A história cultural não costuma ser muito generosa com eles. Afinal, não são raros os casos em que a sequência de um filme, o segundo disco de um artista após um super sucesso, o livro de um escritor seguinte à publicação de seu best seller, sejam lançados sob a expectativa de serem tão bons quanto a obra anterior e acabam se mostrando um fiasco.

Que o digam os irmãos Wachowski, que perderam completamente a mão em Reloaded (2003), o segundo filme da série Matrix. Ou Hannibal (2001), que não conseguiu alcançar o impacto provocado por O Silêncio dos Inocentes, vencedor de cinco Oscars em 1992, inclusive o de Melhor Filme. Michael Jackson bem que tentou, mas não fez com que Bad (1987) ficasse tão sensacional quanto Thriller (1982). E certamente J.J. Abrams deveria ter se concentrado em terminar a sexta temporada de Lost de modo digno e respeitoso à primeira, porque sua nova série Fringe dificilmente vai entrar para a história.

Como todos aqui na redação são fãs desse tipo de programa, foi difícil não pensar de vez em quando neles e sentir um certo medinho ao prepararmos esta nova edição. Não que a gente se compare com a turma aí acima, mas recebemos tantos bons elogios pela revista de estreia (alguns deles estão expostos na pág. 5) e pelo projeto gráfico da dupla Renata Buono e Luciana Sugino, que foi difícil conter o orgulho e não sentir o peso da responsabilidade de manter o padrão.

Todos pensando nisso com seus próprios botões, claro, porque ninguém na equipe é de fraquejar diante do desafio. E todos, de novo, buscaram fazer o seu melhor. O menino Igor, que largou a física para virar jornalista de ciência, talvez tenha sentido a pressão mais que todos ao encarar a honra de escrever nossa matéria de capa. Mas no final ele se saiu muito bem e, com esmero, trouxe ao leitor um quadro muito bacana do que é o poder da supercomputação em rede.
A todos que nos receberam tão bem, falo em nome da equipe: muito obrigada! Esperamos que vocês novamente aproveitem essa aventura.

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Giovana Girardi
editora chefe

 

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