Tempo de uma nova revolução

Este é um mês de festa para a ciência. Há exatos 150 anos, o naturalista inglês Charles Darwin trazia a público seu A Origem das Espécies, com um conjunto de ideias – a teoria da evolução por seleção natural – que revolucionariam a biologia e toda uma noção vigente de mundo. De fato, como afirmou em 1964 o biólogo Theodosius Dobzhansky, “nada em biologia faz sentido a não ser sob a luz da evolução”.

Darwin já tinha perfeita noção disso enquanto trabalhava em seus projetos, como escreveu à mulher, Emma, em 1844. “Minha querida Emma, acabo de terminar o esboço de minha teoria sobre as espécies. Se, como creio, minha teoria for verdadeira, e se ela for aceita até mesmo por um só juiz competente, isso será um passo considerável para a ciência. (…) para a eventualidade de minha morte súbita, como meu mais solene e último pedido (…): que dedique 400£ à publicação dela e, além disso, que se empenhe pessoalmente (…) em promovê-la.”

A história mostrou que a importância atribuída pelo naturalista a seu próprio trabalho não era apenas vaidade. Mas a repercussão, aparentemente, foi maior do que ele imaginava. Em sua Autobiografia, publicada em 1887, cinco anos após sua morte, escreveu: “Com as modestas habilidades mentais que possuo, é realmente surpreendente, portanto, que eu tenha influenciado, em medida considerável, as crenças dos cientistas sobre algumas questões importantes”.

Suas proposições, complementadas posteriormente por seus seguidores, ainda são a explicação mais robusta para o surgimento das espécies, mas pesquisas em novas áreas, como genômica e epigenética, propõem que talvez seja a hora de as ideias de Darwin passarem por um upgrade, como mostra o repórter Pablo Nogueira na matéria de capa, a partir da pág. 18.

Que a produção não seja vista como um anticlímax em tempos de comemoração. Pelo contrário. Os estudos modernos cada vez mais confirmam que existe, sim, um processo evolutivo. Mas mostram também uma evolução que Darwin, com os recursos de que dispunha na época, simplesmente não tinha como ver.

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Giovana Girardi
editora chefe

 

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