‘Esfriamento’ global

E chegou dezembro de 2009, o mês que vinha sendo aguardado por praticamente qualquer pessoa que acompanha de perto os rumos do clima do planeta. No final de 2007, quando se encerrou em Bali (Indonésia) a 13ª conferência do clima (COP) da ONU, foi feito um alerta para que quando os representantes de 191 países, mais a União Europeia, voltassem a se reunir na COP deste ano, em Copenhague, eles chegassem a um novo tratado, com metas rigorosas, para combater o aquecimento global.

Dois anos se passaram, mas a discussão não avançou como deveria para alcançar esse objetivo e, pelo andar da carruagem, especialistas já esperam que os países não vão atingir o tão necessário acordo para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Sim, a discussão pode continuar no ano que vem, e o leitor pode se perguntar se apenas um ano de atraso fará tanta diferença assim. O problema é que um tratado internacional é só o primeiro passo para que os países comecem a agir. Em geral considera-se que 2009 é a data limite para os governos terem tempo suficiente para colocar um novo acordo em vigor a partir de 2013. No ano anterior, expira o primeiro período de compromisso do Protocolo de Kyoto, que estabeleceu metas bem mais singelas de controle das emissões, e mesmo assim pode não ser cumprido.

Os danos provocados pelas mudanças climáticas, porém, se avizinham. Alguns já estão em andamento. Quando fechávamos esta edição, por exemplo, a ONU divulgou um relatório apontando que nos últimos 20 anos o número de desastres naturais dobrou e que 70% deles estavam, de alguma maneira, relacionados com o clima. Geleiras andinas estão rapidamente perdendo o gelo em seu topo, o que vai afetar o abastecimento de água das cidades que ficam ao seu pé. São as populações mais pobres sendo atingidas enquanto as nações mais ricas não resolvem seus impasses.

O Brasil fez um gesto de boa vontade. Anunciou um compromisso de redução das emissões para levar a Copenhague e aparentemente vai usá-lo para pressionar os principais países emissores a também atacarem o problema. Os presidentes Obama (EUA) e Hu (China) disseram primeiro que não ia ter jeito, para depois falarem que vão se esforçar. O planeta não vai pagar para ver. Seja como for, feliz 2010!
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Giovana Girardi
editora chefe

 

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