Tem certeza que sua água é potável?

O mês de março tem duas datas comemorativas importantes, o Dia Internacional da Mulher (8) e o Dia Mundial da Água (22). Confesso que não havíamos nos lembrado deles quando começamos a pensar nesta sexta edição, ainda em janeiro, mas por coincidência acabamos fazendo matérias que têm tudo a ver com seus temas.

A pesquisadora perfilada é uma pioneira do feminismo e da luta pelos direitos da mulher. Socióloga, Heleieth Saffioti iniciou os estudos brasileiros sobre as questões de gênero e é uma referência internacional quando o assunto são as relações entre os sexos, tanto sociais quanto na política e na economia. É bacana ler a reportagem nesta data simbólica para lembrar as muitas lutas que as mulheres ainda têm de enfrentar.

A nossa capa acabou atendendo em cheio o lema do Dia Mundial da Água deste ano: que se aumente a consciência sobre a qualidade da água que bebemos. Estima-se que mais de 1 bilhão de pessoas no mundo não tenham acesso à água potável. Mas quando invoca essa estatística, a ONU normalmente se refere aos problemas que todos conhecemos: esgoto residencial ou industrial não tratado caindo nos corpos d’água; contaminantes de solo que atingem os lençóis freáticos; vazamentos de óleos e metais pesados de todo o tipo.

A lista é interminável, mas a maior parte dela pode ser resolvida com métodos de tratamento e purificação da água. O que a reportagem de Luciana Christante mostra, porém, é que há uma série de outros contaminantes atingindo rios e mares que ainda passam despercebidos pelas análises mais comuns de água e incólumes pelos processos de filtragem.

Tratam-se de substâncias com potencial de mimetizar a ação do estrógeno. Para dar uma ideia do problema, deixo uma frase da bióloga Rachel Carson, autora de Primavera Silenciosa (1962), a primeira obra a alertar para essa verdadeira poluição hormonal.

“Estamos expondo populações inteiras a agentes químicos extremamente venenosos (…) que, em muitos casos, têm efeitos cumulativos. Atualmente, este tipo de exposição começa a acontecer antes mesmo do nascimento. Se não mudarmos nossos métodos atuais continuará acontecendo ao longo de toda a vida das pessoas que já nasceram. Ninguém sabe ainda quais serão os resultados deste experimento, já que não há nenhum paralelo anterior que possa nos guiar.”

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Giovana Girardi
editora chefe

 

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