Peter Dauelsberg – da música de câmara à MPB

texto ◘ Pablo Nogueira

Apaixonado pela canção romântica alemã, o lied, e pela cultura brasileira, artista tocou com grandes nomes e fortaleceu o ensino de música no país

Nascido numa família amante da cultura, o alemão naturalizado brasileiro Gerhard Peter Dauelsberg, de 77 anos, viveu durante a infância na Alemanha as agruras da Segunda Guerra Mundial e chegou ao Brasil trazendo na bagagem o amor pela música erudita e pela esposa, uma pianista brasileira. Nesta entrevista, falou sobre a paixão pela música de câmara, a trajetória como violoncelista, que o levou a alguns dos principais palcos do mundo, a colaboração com alguns dos grandes nomes da MPB e a carreira como professor do Instituto de Artes da Unesp, onde trabalhou por 25 anos e ajudou a formar alguns importantes nomes da cena erudita contemporânea nacional.

Unesp CiênciaSua família sempre esteve envolvida com cultura?
Gerhard Peter Dauelsberg Sim. Meu avô materno, Carl Busse, ainda jovem já era muito célebre na Alemanha, aos vinte e poucos tinha vários livros de poesia publicados. Sua poesia foi musicada por grandes compositores, como Richard Strauss. Ele era um famoso crítico literário e descobriu o [escritor vencedor do prêmio Nobel] Herman Hesse (1877-1962), que escreveu um agradecimento ao meu avô nas suas obras completas. Morreu jovem, com 40 e poucos anos, logo após a Primeira Guerra Mundial. Meus pais liam muito e gostavam de música, tinham assinaturas para as temporadas de concertos. Às quintas-feiras, enquanto nós crianças íamos para a cama, meu pai, junto com um amigo, sentava-se ao piano. Tocavam, a quatro mãos, todas as sinfonias de Beethoven.

UCO senhor nasceu no ano em que Hitler chegou ao poder (1933) e viveu a Segunda Guerra. Que lembranças tem desse período tão conturbado?
Dauelsberg Péssimas. A mulher de Carl Busse [sua avó materna], embora convertida à igreja luterana, era judia de nascimento. Na época, as famílias tinham que comprovar a ausência de judeus até a terceira geração. Minha mãe e minha tia não sabiam que minha avó era judia. Descobriram quando começou a perseguição. Mas já era tarde demais, e isso trouxe consequências. Meu pai recebeu uma comunicação de que devia se divorciar da minha mãe no início da guerra. Ele se recusou. Ele estava no exército, numa patente alta, e foi rebaixado a um posto bastante inferior. A guerra foi muito marcante. Meu pai sumiu de casa quando eu tinha 6 anos. Aparecia por 10, 15 dias e depois sumia de novo. Logo Bremen, onde morávamos, começou a ser bombardeada. Como minha mãe era meio judia, era obrigada a fazer trabalhos forçados numa fábrica de munições. Saía de casa às 4h30 e voltava às 20h. Desde muito cedo, aprendi o que era limpar a casa, cobrir as janelas com papel durante os bombardeios – porque os vidros já tinham se quebrado há muito –, cozinhar… Algo que detesto até hoje. No mais tardar às 22h já tinha soado o alarme, e a gente tinha de correr para os abrigos. Um dos meus colegas, da minha idade, era um violoncelista maravilhoso. Já na época tocava maravilhosamente bem e teria sido um dos grandes do mundo. As nossas famílias se conheceram, nossos pais trabalhavam juntos. Ele morreu junto com a família inteira, a mãe, a avó, a irmã. A bomba explodiu na entrada [da casa] e matou todo mundo. Devido aos bombardeios eu perdi minha casa e tudo que possuía.

 

O duo formado com a pianista Ingrid Haebler (cartaz abaixo.) evoluiu para um trio com o violinista Gerhard Hetzel

 

UCComo o senhor se encantou pelo violoncelo?
Dauelsberg Em 1936 mudou para o nosso prédio um casal jovem em que o homem era um violoncelista amador. Ele gostava de fazer música de câmara e, para não ter reclamações pelo barulho, convidou os vizinhos para ouvir. Minha mãe ia e se encantou pelo violoncelo. E decidiu que o filho tinha que tocar violoncelo. Eu preferia jogar futebol, fazer outra coisa… Mas a minha mãe me obrigou. Eu tinha por volta de 10 anos. Ela ficava uma hora ao meu lado fazendo tricô enquanto eu estudava. A partir de um certo momento, comecei a sentir prazer e não precisava mais da minha mãe me olhando estudar. Meu pai queria que eu me tornasse médico e mais tarde cuidasse da pesquisa da fábrica de penicilina que ele dirigia, depois da guerra. Tivemos um desentendimento. Ele disse que eu tinha de estudar por pelo menos um ano e depois podia decidir. Fui para Göttingen, onde havia uma escola de medicina tradicional. Lá havia professores e alunos que tocavam como amadores. Nunca fiz tanta música na minha vida como naquele ano [risos]. Meu pai me liberou e deu uma mesada muito baixa, mas que dava para comer e pagar as aulas de violoncelo.

UC O senhor estudou com um dos violoncelistas mais famosos do século, André Navarra (1911-1988)…
Dauelsberg Uma colega me sugeriu ir estudar no Conservatório de Paris com André Navarra. Fui até lá e toquei para ele. Eu não falava francês, por isso havia uma intérprete que traduzia a nossa conversa. Ele disse: “Diga que ele nunca vai ser um Casals [Pablo Casals, grande violoncelista do século 20]. Mas que ele pode ser muito bom, e que estou disposto a aceitá-lo com aluno com uma condição: que ele faça o que eu pedir. E eu sou exigente”. Durante um ano eu pratiquei só escalas e intervalos de terça, quarta, sexta… Praticava oito, dez horas por dia. Ele era o grande representante da escola francesa de arco. Era um jeito de tocar completamente relaxado, você não podia sentir dores.

UC Como veio para o Brasil?
Dauelsberg No conservatório de Paris eu conheci minha mulher, Myriam, que é brasileira e pianista. Nós tocávamos num quarteto, eu me encantei e me declarei. Ela tinha a possibilidade de concorrer a um prêmio no Brasil e voltou para cá. Depois escreveu me convidando para vir. Disse que conhecia o governador de Brasília [Israel Pinheiro da Silva], e ele havia dito que ia criar uma orquestra sinfônica. Recebi um contrato, pelo correio, para trabalhar nessa orquestra. Levei a um banco na Alemanha para que fosse examinado, e o funcionário me disse: “O sr. vai ganhar bem. Parece que lá tem dois lagos. Com esse salário o sr. vai poder morar numa casa no lago”. Então assinei o contrato [risos]. Mas a passagem era muito cara. Como a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), no Rio, estava precisando de violoncelos, me propuseram pagar pela passagem de avião e tocar lá algum tempo por um pequeno salário, enquanto descontavam o valor da passagem. Como a orquestra de Brasília ia começar no ano seguinte, em janeiro, eu concordei. No fim, não fui para Brasília. Quando cheguei aqui em 1960 e me deparei com o calor, o povo carioca, o sol, a luz, a alegria, as cores… Achei fantástico.

UCO senhor conheceu Villa-Lobos?
Dauelsberg Conheci em Paris. Ele era amigo dos pais de Myriam e a tinha como uma filha. Villa-Lobos gostava de mim e disse que queria ser nosso padrinho. A cerimônia foi marcada para 1960, mas ele morreu em 1959.

UCQual cenário para a música erudita o sr. encontrou no Brasil na época?
Dauelsberg Havia um público razoável para música sinfônica, um público enorme e entusiasta para ópera e um público entusiasta, mas reduzidíssimo, para a música de câmara, que foi onde eu me ocupei muito. Nessa época as orquestras não eram profissionais. Entre os músicos havia advogados, médicos, contadores, dentistas, de tudo. Muitas vezes eles faltavam aos ensaios devido a outros compromissos profissionais. Lembro de um músico que faltou ao ensaio para acompanhar a mulher ao médico. Tive de reconhecer que aqui era tudo diferente. Outros músicos estrangeiros que tocavam na OSB não se adaptaram e voltaram para a Europa. Mas para mim a música de câmara foi um fator importante para ficar aqui.

 

Um dos concertos que deu em 60 anos como violoncelista;

 

UCO senhor chegou a ser diretor da Sala Cecília Meireles, talvez o mais famoso espaço para música de câmara do Brasil…
Dauelsberg Foi consequência da carreira da minha mulher. Ela foi diretora da sala por muitos anos. O [pianista] Jacques Klein (1930-1982) era diretor e chamou a Myriam para ser diretora artística. Quando ele saiu, ela ficou como diretora, e o nome dela está ligado à história da sala, porque fez coisas fantásticas. Grandes artistas do mundo estavam vindo para se apresentar lá. O presidente [João] Figueiredo [no cargo entre 1979 e 1985] chamou Eduardo Portella para ser ministro da [Educação e] Cultura, e ele convidou Myriam para chefe de gabinete. Ela a princípio não queria ir para Brasília e me deixar sozinho com nossos dois filhos, mas eu argumentei que ela sempre quisera participar da política cultural e que eu cuidaria da sala no lugar dela por um ano. Foi o tempo em que fiquei, em 1979. Eu já era professor da Unesp, passava dois dias por semana lá, dando aula. Era tão corrido que eu aproveitava para fazer feira em São Paulo e depois trazia as sacolas de avião, para economizar tempo. Depois de alguns meses ela me telefonou chorando e dizendo que queria sair do governo.

UC O senhor também colaborou com grandes nomes da MPB.
Dauelsberg Entre 1970 e 1973 cuidei dos arranjos de cordas da Phillips. Foi a época áurea da gravadora, durante a qual foram produzidos mais de 500 discos. O primeiro do Edu Lobo tem um agradecimento a mim. Ele diz que agradece pela minha paciência, porque ele não sabia ler música. Também fiz shows com o Tamba Trio, Baden Powell, Oscar Castro Neves, Egberto Gismonti… A Globo tinha uma orquestra muito boa, que tocava nos festivais, e me chamava para tocar como primeiro violoncelista. Foi uma época muito rica. Nos bastidores, o DOPS [Departamento de Ordem Política e Social] batia nos artistas, e no palco eles tinham de cantar. Conheci muitos artistas. Egberto Gismonti, Dori Caymmi e Milton [Nascimento] eu levei para minha casa. Milton era extremamente modesto e gentil, recém-chegado de Minas. Foi lá em casa almoçar e começou a falar sobre seu novo disco e perguntou se eu ia fazer os arranjos de cordas. Fiz com muito prazer. Era o Milagre dos Peixes. Se naquela época as orquestras tinham limitações técnicas, a música popular era a qualidade. Deixei muitos amigos lá.

UCComo o sr. virou professor da Unesp?
Dauelsberg Eu tocava num trio de muito sucesso, o Trio Continental, com Jacques Klein. Fomos convidados para tocar e dar aulas no Festival de Campos do Jordão. O concerto foi assistido pelo então governador Paulo Egydio (1975-1979) e a família dele. Depois do concerto, ele nos convidou para tomarmos um chá na casa dele. Eu e ele estávamos conversando quando de repente ouvi dois gritos: “Myriam!”, “Brasília!”. Minha mulher e a dele tinham sido grandes amigas no colégio e se reencontraram. Assim começou uma amizade, meus filhos foram passar as férias com os filhos dele… Ele tinha fundado a Unesp [em 1976], pois achava que a USP e a Unicamp não atendiam o Estado inteiro, e me convidou para ensinar lá, dizendo que precisava de pessoas boas na parte de música. Respondi que estava viajando muito, pela Europa e pelo Brasil. Mas ele disse que se eu desse duas aulas ia poder viajar à vontade. Essa promessa foi mantida depois.

UCO senhor foi um dos primeiros artistas ocidentais a se apresentar na China, após a Revolução Cultural. Como foi?
Dauelsberg O Jacques Klein tinha saído do trio. No seu lugar entrou um aluno dele, o Arnaldo Cohen, e formamos o Trio Artis. Arnaldo tinha ligações com uma agência de viagens que estava levando turistas para lá e possuía boas conexões com o governo. Eles recorreram ao Itamaraty e entraram em contato com o Ministério da Cultura da China. Assim foi planejada uma turnê. Durante a Revolução Cultural os chineses não tinham acesso a nenhuma obra de arte, música ou livro que não fossem chineses. Então, chegar a um país onde ninguém sabia mais o que era um piano ou um violino foi uma coisa extraordinária. Os ingressos esgotaram semanas antes, e o público era formado por diplomatas, estudantes e militares. Tudo era televisionado. Quando subíamos ao palco, qualquer gesto, mesmo que fosse só o de virar uma página, era comentado pelo público. Só tínhamos comida chinesa para comer. Em Pequim, o ministro da Cultura nos ofereceu um jantar com 72 pratos de pato, entre eles o pato laqueado. Em outra cidade, o governador tocava um pouco de violino e nos convidou para um jantar com mais 40 pessoas. Trouxeram um bicho estranho num prato, e percebi que tinham cortado as antenas do bicho. Era barata! Ainda tínhamos um concerto na China e depois íamos para Hong Kong. Um de meus colegas, depois daquele jantar, ficou sem comer até Hong Kong.

 

Hoje, ensina interpretação de “lied” a cantores e pianistas

 

UCFoi a partir do Trio Artis que surgiu sua parceria com a famosa pianista Ingrid Haebler?
Dauelsberg Foi algo maravilhoso, porque ela era uma grandíssima pianista. Ela veio ao Brasil tocar na Cecília Meireles e ficou hospedada na minha casa. Assim, me viu tocando com o trio. Depois que voltou à Áustria, escreveu uma longa carta me convidando para tocarmos toda a obra para violoncelo e piano de Beethoven. Eu viajei para Salzburgo, e passávamos 15 horas por dia ensaiando. Nós trabalhávamos duro, ensaiávamos dois ou três compassos por dia. A Unesp foi muito compreensiva. Eu dava minhas aulas, e a Universidade permitiu que eu vivesse para estudar com ela. Tocamos em dueto e depois acrescentamos um violinista, que depois foi substituído. Durante essa fase tocamos nas grandes salas de concerto do mundo, em Leningrado, Leipzig, Paris, Bruxelas, Antuérpia, Moscou, na ópera de Berlim… Lembro de uma vez em que estávamos chegando à Holanda e, enquanto esperávamos a bagagem na esteira, ela viu um outro rapaz segurando um violoncelo. Imediatamente fui até ele e começamos a conversar. Era Yo-Yo Ma [famoso violoncelista norte-americano], no início da carreira. Ele ficou doido quando soube que eu estava com a Ingrid, quis saber como trabalhávamos, me chamou para assistir ao concerto dele, eu o chamei para vir ao nosso… Essa receptividade é algo comum entre os violoncelistas. Se fôssemos dois violinistas se encontrando, talvez um fingisse que não viu o outro [risos]. O primeiro violinista que convidamos para tocar conosco foi Henryk Szeryng (1918-1988). Ele faleceu pouco depois. A seguir convidamos Gerhart Hetzel (1940-1992), que era spala [1º violinista] da Filarmônica de Viena. Fizemos 10 recitais e ele faleceu. Daí Ingrid me disse: “Peter, acho melhor pararmos, se não vão dizer que estamos matando violinistas” [risos].

UC E como era o trabalho na Unesp nessa época?
Dauelsberg Comecei quando o IA [Instituto de Artes] ainda era em São Bernardo [ficou lá até 1981], então pude acompanhar desde o início. Eu fiquei alguns anos como professor de violoncelo [de 1978 a 1986]. Meus alunos me adoravam. Quando eu vou a São Paulo ainda me encontro com eles. Mas eu não sei se fui um bom professor. Não sinto que tenha conseguido fazer os estudantes avançarem. Em geral, eles já estavam dentro de uma orquestra. Eram obrigados a tocar de manhã e estudar à tarde. O regente pedia, por exemplo, para que eles tocassem mais forte. Eu tentava mostrar a eles que relaxadamente se pode tocar mais forte. Mas o mais comum era que, quando eu chegava à aula, dissesse aos alunos sempre a mesma coisa: que eles não conseguiam progredir. Depois de alguns anos como professor de violoncelo, fui à direção e pedi para mudar [de área]. O Paulo Egydio queria professores com experiência internacional, que pudessem passar para o aluno suas vivências de palco, suas viagens por outros países etc. Foi com essa orientação na cabeça que eu pedi para sair. Achei que não estava conseguindo fazer isso.

UC E a que se dedicou depois?
Dauelsberg Recebi a classe de música de câmara. Na minha primeira turma tinha um trombonista, um violinista, um saxofonista e 20 ou 22 pianistas. Nesse tempo conheci toda a literatura para dois, três, quatro ou cinco pianos de cor [risos]. Depois, passei a ensinar também música de câmara vocal. Lá me vi com o seguinte problema: os alunos queriam cantar músicas de câmara alemãs, assim como já cantavam músicas inglesas, francesas e brasileiras. Mas a canção alemã, o “lied”, é o ápice da época romântica. Reuniu os melhores poetas e os melhores compositores, e o resultado é tão incrível que mesmo quem não entende a língua alemã se sente atraído. Os alunos cantavam em alemão, e eu vi que, como eles não sabiam a língua, não entendiam o que estavam dizendo, e, consequentemente, não conseguiam transmitir sentimentos para sublinhar o texto. Daí comecei a traduzir as letras e passei a estudar o assunto com profundidade. Fiz várias pesquisas sobre o “lied” enquanto estava na Unesp. Esses trabalhos já circulam nas universidades brasileiras, porque foram feitos para a universidade. Hoje, devido a um acidente, não toco mais o violoncelo. Mas continuo recebendo em casa cantores, pianistas e grupos que pedem orientação sobre pronúncia das canções, sobre o texto, interpretação… Faço isso com uma alegria imensa. Na música de câmara, eu consegui transmitir minha experiência aos estudantes.

UCO senhor foi professor por 25 anos. Como viu as transformações que o IA passou nesse período?
Dauelsberg Depois que o instituto veio para São Paulo, ele progrediu muito, a tal ponto que, inegavelmente, é o melhor lugar para ensino de música em São Paulo, em termos de corpo docente. O corpo discente eu conheço menos hoje. Mas pessoas que foram meus alunos hoje se apresentam em grandes teatros. Em Colônia [Alemanha] assisti com imensa alegria à primeira récita de uma nova montagem de As Bodas de Fígaro, de Mozart, por exemplo, com Leonardo Fischetti, que hoje é primeiro barítono num teatro em Portugal. Tive alunos muito bons, que queriam aprender. Vendo desde o começo, o crescimento foi enorme. Estão de parabéns, e tenho orgulho de ter ensinado lá e contribuído.

___________________

 

Deixe uma resposta

*