As feridas mais profundas

O sociólogo Gilberto Freyre anotou que a monocultura, a escravidão e o latifúndio – mas em especial a monocultura – abriram feridas profundas na vida, na paisagem e “no caráter da gente”. O raciocínio foi publicado no ensaio Nordeste, em 1937. Oitenta anos depois do apontamento de Freyre, o que mudou? As feridas ainda estão abertas? Em busca dessas respostas, o pesquisador americano Thomas D. Rogers lança As feridas mais profundas: uma história do trabalho e do ambiente do açúcar no Nordeste do Brasil, pela Editora Unesp.

As feridas mais profundas: uma história do trabalho e do ambiente do açúcar no Nordeste do Brasil; Thomas D. Rogers; Tradutor: Gilson César Cardoso de Sousa;
354 páginas; R$ 78,00.

A partir de uma descrição agroambiental com foco nos trabalhadores, mas “reconhecendo quão intimamente ela se entrelaça com a história dos próprios campos”, Rogers sobrevoa o Nordeste do Brasil para tratar da ocupação europeia até avançar pelos séculos e examinar de maneira mais detida o papel que os trabalhadores da terra tiveram nas disputas regionais e nacionais ao longo do século XX.

A principal linha de raciocínio do pesquisador indica que, embora as mudanças ocorridas em Pernambuco com o término da escravidão não tenham sido tão evidentes como na cultura cafeeira do Sudeste do Brasil, isso não evitou que se estruturassem novas relações de trabalho nas fazendas. “O presente livro examina esses legados, recorrendo a uma narrativa da história do trabalho e do agroambiente. É uma abordagem que ilumina novas facetas das relações entre trabalhadores e fazendeiros, lançando nova luz sobre o papel do Estado na mudança agrícola”, escreve Rogers.

O autor, apoiado em extensa bibliografia, também inclui depoimentos de trabalhadores. “O que está no centro da narrativa deste livro: trabalhadores ou ambiente? Penso que ambos”, anota. “Pelo exame dos processos da mudança agrícola, as histórias dos trabalhadores e do ambiente podem ser contadas juntas. Na verdade, são uma história só.”

 

© Wikipedia/Josampaio/Engenho de rapadura na cidade de Barbalha – CE.

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SOBRE O AUTOR
Thomas D. Rogers é professor associado do Departamento de História da Emory University, em Atlanta, na Geórgia.

Mais informações sobre os livros publicados pela Editora Unesp estão disponíveis no site <www.editoraunesp.com.br>.

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