Adequações ao modelo fitossanitário atual

Cabe ao agricultor observar rigorosamente as Boas Práticas Agrícolas

O cerne conceitual da Fitossanidade é atemporal. Sempre será necessário contar com instrumentos para evitar o ingresso de novas pragas, dispor de condições de quarentenamento de ingressos de material vegetativo de alto risco, manter um sistema de vigilância ativa e capacidade de identificação de pragas, proceder à erradicação ou contenção de novos ingressos e manter um sistema de convivência com as pragas estabelecidas, lastreado em programas de manejo de pragas.

Entretanto, os desafios se acentuam, conforme cresce a demanda por produtos agrícolas, com o aumento da população e, em particular, com o acentuado incremento da renda per cápita. Nesse cenário a FAO estima que, entre 2010 e 2050, será necessário aumentar em 70% a oferta de produtos agrícolas. Desse total, cerca de 40% serão os fornecidos pelo Brasil. Forçoso referir que um elevado status fitossanitário é o passaporte dos nossos produtos agrícolas para exportação.

As restrições que se apresentam para atender a essa demanda adicional são o esgotamento da área cultivável e a disputa com outras formas de ocupação do espaço rural, as mudanças climáticas, a escassez de mão de obra e o acirramento dos problemas fitossanitários. Nesse aspecto, devemos elencar as principais características que marcarão as próximas décadas:

∞ Exigências maiores de qualidade e inocuidade por parte dos consumidores;
∞ Regulamentos fitossanitários nacionais e internacionais cada vez mais restritos;
∞ Análise minuciosa e demorada nas agências reguladoras;
∞ Crescente dificuldade de obtenção de novos ingredientes ativos;
∞ Desenvolvimento de resistência de pragas aos agrotóxicos;
∞ Necessidade de refúgios em cultivos OGMs;
∞ Intensificação da agricultura e estabelecimento de pontes verdes;
∞ Observância dos vazios sanitários;
∞ Crescente introdução de pragas exóticas no país;
∞ Impacto das mudanças climáticas, favorecendo as pragas;
∞ Falsificação e contrabando de agrotóxicos, prejudicando o controle de pragas;
∞ Impacto de agrotóxicos sobre serviços ecossistêmicos;
∞ Necessidade de maior capacidade de pronta resposta dos governos;
∞ Dificuldades orçamentárias dos governos para atender às demandas;
∞ Escassez de mão de obra no campo;

 

© Pixabay

 

Nesse contexto, será imperioso que as diferentes instâncias de Governo internalizem a importância do agronegócio para o desenvolvimento econômico e social do país, conferindo-lhe a devida prioridade e investindo nos eixos básicos da fitossanidade, como inteligência quarentenária, análise de risco, inspeção de ingresso, sistema quarentenário, vigilância ativa, controle de trânsito e pesquisa e desenvolvimento em fitossanidade, o que inclui o melhoramento preventivo para dispormos de material genético resistente a eventuais novas pragas.

Caberá ao agricultor observar rigorosamente as Boas Práticas Agrícolas, em especial seguindo as recomendações dos programas de manejo de pragas, atentando para práticas como o monitoramento constante das pragas na lavoura, o uso de material genético resistente às pragas, lançar mão de práticas culturais que desfavoreçam as pragas, utilizar e preservar o controle biológico, utilizar o controle químico de forma inteligente, sempre atentando para a melhor tecnologia de aplicação e o manejo da resistência das pragas aos agrotóxicos, e estar atento às novas tecnologias, como variedades OGMs resistentes às pragas ou o RNA interferente.

Assim agindo, o agricultor aumentará sua sustentabilidade, competitividade e lucratividade e o Brasil poderá cumprir seu destino de ser o grande protagonista no comércio agrícola internacional.

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TEXTO POR:
Decio Luiz Gazzoni é Pesquisador da Embrapa Soja. Este texto foi produzido a partir da palestra Adequações necessárias no modelo fitossanitário, proferida no Congresso Brasileiro de Fitossanidade, realizado em agosto de 2017. E-mail: <decio.gazzoni@embrapa.br>.

 

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