Em defesa da Unesp

TEXTO: Vera Lucia Messias Fialho Capellini 

Terminou 2017. Se esta fosse a última energia que a minha vida me reservasse, usaria com a maior simplicidade do mundo para dizer estas poucas palavras em Defesa da nossa Unesp como Patrimônio Público de nossa sociedade. Por que pedir isso? Porque precisamos esclarecer alguns pontos fundamentais.

É verdade. Erramos, sim, na forma de administrar nossas universidades, que nasceram para uma elite, mas podemos aprender juntos outras formas de governar. Também é verdade que o corporativismo existiu e existe, mas não podemos permitir que cada gota de suor de muitos servidores públicos que batalham no exercício diário de sua profissão pelo combate às imensas injustiças sociais seja motivo para considerar que está tudo perdido.

Tão fundamental quanto o feijão e o arroz que compramos no supermercado é o nosso fazer para um mundo mais justo. É mentira que a universidade se mantém distante da sociedade. Iniciei minha carreira na Educação Básica na região em 1991, hoje estou na vice-direção da Faculdade de Ciências da Unesp.

Assim como eu, vários dirigentes, professores, coordenadores dos atuais sistemas de ensino do Estado de São Paulo e dos municípios, públicos e privados, estão ou estiveram cursando parte ou toda sua formação profissional na Unesp. É importante lembrar que, em 2018, metade de nossos alunos que ingressam na Unesp vieram exclusivamente de escolas públicas.

Vários de nossos projetos de extensão, pesquisa e ensino têm, ao longo dos 30 anos de encampação que comemoraremos em 2018, contribuído coletivamente para a melhoria da qualidade de vida, de problemas que assolam a população em diferentes áreas, inclusive alguns premiados, sistemáticos e consolidados com Apae, Sorri, Hospital Estadual, Maternidade Santa Isabel, com as prefeituras por meio das várias secretarias. Acabamos de criar o Centro de Inovação Tecnológica. Vários de nossos professores nem colaram grau e já foram aprovados nos concursos de Bauru e região e estão também nas escolas privadas. Alguns não permanecem, pois a Educação Básica em nosso país não é prioridade, não existe valorização da carreira docente.

Se queremos mudar esta nação, precisaremos colocar na ordem do dia esta prioridade, a valorização da educação e do educador.

Para não esquecer, criamos a primeira e única sala de Recursos para alunos com superdotação da rede estadual de São Paulo aqui na periferia de Bauru. Temos um projeto de avaliação da qualidade da educação ofertada para pessoas com deficiência, superdotação e transtornos globais do desenvolvimento inédito no País. E uma infinidade de outros projetos nas diferentes áreas. Não quero me delongar, pois temos números exatos de todos os projetos com o alcance de cada um deles, que devemos colocar à disposição da comunidade.

Faço um pedido a você, leitor: abra o ano de 2018 em suas redes sociais, mesmo que você não seja um usuário direto certamente tem na família e em seu entorno pessoas que as utilizam, e valorize a Unesp, conheça os muitos trabalhos desenvolvidos, envolva-se.

A Unesp é de todos nós. Vamos lutar juntos. Não vamos deixar que o corporativismo de poucos destrua o trabalho de muitos servidores públicos que se colocam a serviço do bem comum.

O pedido de valorização da instituição é primeiramente para que a Unesp seja entendida como parte de nossa comunidade e aí sim, juntos, encontraremos formas pacíficas pela manutenção.

Ninguém defende aquilo de que não faz parte.

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Vera Lucia Messias Fialho Capellini é vice-diretora da Faculdade de Ciências da Unesp de Bauru.

 

 

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