Ação educativa nos museus

O Programa MHIMU – Museus e História dos Municípios – desenvolve ações educativas e técnicas em parceria com prefeituras e órgãos públicos, universidades, escolas, instituições culturais, entidades sociais e a população local. É resultado de Projeto de Extensão Universitária realizado em 2015

A educação é a essência própria das instituições museológicas. O museu surge para reunir, exibir, tocar a sensibilidade e a consciência do visitante, instruindo espontânea e deliberadamente. As ações educativas e a comunicação com o público são funções incontornáveis em todo e qualquer museu, grande ou pequeno, temático ou não, local ou nacional.

A educação no museu é distinta da educação escolar, é mais livre e aberta. No museu a ação educativa volta-se para a descoberta, o questionamento, a interpretação, a compreensão, mobilizando sempre que possível todos os sentidos humanos e não apenas a cognição intelectual. Atualmente a ação educativa é fundamental no estabelecimento de novas relações com os visitantes e o público de museus. Esta atenção é um dos traços da museologia no século XXI.

A prioridade ao público escolar é estratégia com inúmeras possibilidades de inovação pedagógica e institucional. Ampliam-se as oportunidades de inclusão social e de atendimento a demandas educacionais, culturais, de lazer e turismo. A ação educativa possibilita que os visitantes façam, livre e criativamente, a integração entre os conhecimentos individuais, comunitários e das sociedades com os saberes dos museus. O resultado é a permanente renovação nas experiên-
cias e na sensibilidade do público ambientadas nos espaços museológicos.

A promoção da autoconsciência, da apropriação e da reelaboração individual e coletiva do conhecimento confere múltiplos sentidos às ações educativas nos museus. A formação e a transformação das pessoas tornam-se processo regular e contínuo de articulação e de interação de interesses, da curiosidade e do espírito crítico. Permitem atender tanto a necessidades profissionais, como as de professores, técnicos e gestores de museus, quanto a demandas e expectativas do público escolar, da visitação espontânea, da inclusão social e da cidadania de diferentes segmentos sociais. Multiplicam-se as situações de ensino e aprendizagem e as possibilidades de ação educativa nos museus. Uma viva cultura de museus também pode desencadear novas oportunidades econômicas, de geração de emprego e renda, no turismo e no desenvolvimento local e regional.

Vê-se logo que a eficácia da ação educativa resulta antes da busca de novas relações com o público nos museus e menos da sua tipologia – de arte, histórico, de ciências, militar ou outra –, de seu acervo, recursos tecnológicos ou do alcance de suas atividades – local, regional, nacional, internacional. Todo museu tem algo a revelar, uma experiência a oferecer, acontecimento ou relato memorável, conhecimentos que incitam a percepção e a sensibilidade humana para o desconhecido, a diferença, a novidade. É esta condição comum a todo e qualquer museu, espaço de encontro e de compartilhamento, que contribui para torná-lo interessante para os diferentes públicos e para a visitação periódica. A ação educativa em museus estabelece e renova canais de comunicação entre os museus e a sociedade.

O fio condutor do trabalho com o público é o diálogo aberto e constante. É preciso ouvir e compreender o que move a atração e o afastamento do público dos museus. A identificação de necessidades específicas e das expectativas dos visitantes e do potencial para a ampliação da frequência é o primeiro e decisivo passo. Horários, acesso, segurança, comunicação e linguagem são itens de atenção e de revisão constante.

O objetivo do programa de ação educativa do museu é torná-la prática institucional, regular e permanente, com padrão de qualidade pedagógica, técnica e cultural. A opção pelo público escolar vai conduzir o museu e a ação educativa ao contato e ao diálogo frequentes com escolas, alunos e professores. Uma vez aberto o canal de comunicação entre as escolas e os museus, haverá crescente interação com as propostas para a educação, os projetos político-pedagógicos das escolas, os conteúdos transversais e específicos das diferentes disciplinas que compõem a grade curricular e as expectativas dos estudantes.

Na impossibilidade de o museu dispor de um setor educativo institucionalizado, o que demandaria recursos, contratação de pessoal, infraestrutura, material de consumo e profissionais especializados, há que se buscar alternativas concretas e possíveis. Estas existem e tornam o programa de ação educativa peça fundamental na sua consecução.

Mesmo os pequenos museus não podem abrir mão de seu papel social e da valorização cultural do patrimônio e do acervo de que dispõem, ainda que não contem com os recursos financeiros, materiais e profissionais ideais. Professores da educação básica e universitários poderão ser envolvidos em parcerias, projetos comuns e trabalho voluntário nesta aproximação entre educação e museus. A formação continuada de profissionais nas escolas e nos museus contribui para o crescimento da cultura de museus na cidade.

O enlace se dá no programa de ação educativa do museu, renovando a centralidade e a sua importância estratégica. A existência e a divulgação do programa, por um lado, permitem que o museu tenha um conjunto definido de ações educativas e, por outro, que professores ou profissionais em trabalho voluntário sejam engajados nas atividades que se realizam em espaços museológicos. As universidades podem cooperar oferecendo orientação científica, técnica e pedagógica pela atuação de seus especialistas e pesquisadores tanto na elaboração do programa quanto nas práticas de sua implantação.

O programa de ação educativa deve partir do consagrado princípio da educação para todos. Ainda que tenha definido o seu público prioritário, o museu não pode evitar a ampliação e a diversificação de visitantes. O estabelecimento de metas claras e precisas, exequíveis e previstas em cronogramas de atividades assegura a sua realização e a participação do público. Um plano de trabalho periódico, semanal ou mensal, poderá trazer as atividades previstas e ações possíveis de ser desencadeadas em colaboração, parcerias e projetos específicos.

A identidade educacional do museu é o aprendizado com objetos, coleções e o patrimônio. Aprender com os objetos é a prática fundadora dos museus. O trabalho deve ser submetido a avaliações periódicas e sistemáticas, em colaboração com o público, para que as ações educativas possam ser readequadas, renovadas e enriquecidas em seus aspectos técnicos e pedagógicos.

O programa de ação educativa é um procedimento útil e necessário e que resulta na multiplicação de efeitos positivos na vida educacional e cultural das instituições museológicas. As escolas, o público visitante e a cidade são igualmente beneficiados com esta revigorada atenção.

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Paulo Henrique Martinez é professor no Departamento de História da Faculdade de Ciências e Letras de Assis, Universidade Estadual Paulista.

Foto de abertura: © Foto: AnaViegas/museus.gov.br/Ibram/Icom

Informações: <www.facebook.com/MHIMU2015/>.

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