200 anos de Frankenstein

Artigos discutem obra clássica de Mary Shelley

Percepções sobre a rejeição do diferente
C. M. Komatz e G. M. Komatz

Publicado em 1818, o romance Frankenstein permite discussões de temas relevantes tanto para a sociedade inglesa do século XIX quanto para a visão de mundo que hoje possuímos. A obra, que também traz percepções sobre a rejeição do diferente, é primariamente uma análise da vontade do homem de transpor os limites da natureza e das consequências que tal poder pode trazer.

Frankenstein narra a trajetória do jovem estudante de ciências naturais Victor Frankenstein que cria um ser humanoide que acaba por lhe causar extrema repulsa: um monstro. Buscando compaixão, mas desprezado por todos que o veem, o monstro é tomado por um ódio contra seu criador e faz de sua missão a destruição de tudo e todos que Frankenstein mais estima. Com nada mais a perder, o jovem naturalista tenta caçar o monstro e impedir mais danos, entretanto, sua criação não mais lhe pertence e vaga inexoravelmente para o desconhecido.

A história de Mary Shelley causou furor no círculo literário inglês do início do século XIX, ao abordar conceitos discutidos no meio científico durante o século anterior. Dentre estes estavam experimentos que especulavam sobre a produção de vida a partir de matéria inanimada, realizados séculos antes, mas ainda debatidos em meio aos experimentos do naturalista e poeta Erasmus Darwin – o avô de Charles Darwin –, e o estudo do movimento de partes do corpo por impulsos elétricos, fenômeno conhecido como galvanismo. É exatamente essa a linha de pensamento explorada pelo jovem Frankenstein que, utilizando-se de partes de corpos distintos, as conecta e estimula, dando vida à sua criação.

Meio século depois, as comunidades literária e científica discutiriam ideias semelhantes com entusiasmo e repulsa. A obra O Estranho Caso de Dr Jekyll e Mr Hyde (1886) (também conhecida como O Médico e o Monstro), do escocês Robert Louis Stevenson, narra a história de um ambicioso médico que faz uso da ciência para transpor os limites do corpo humano e dividi-lo em duas entidades físicas opostas, o bem e o mal. Já na obra A Ilha do Dr Moreau (1896), escrita por H. G. Wells, o homônimo cientista cria seres humanoides através de partes de corpos de outros animais, referenciando assim a volta da espécie humana a um estado degenerativo, ideia que ganhou força com a publicação de A Origem das Espécies, em 1859, por Charles Darwin, e com os debates sobre a evolução e a posição ocupada pelo homem no panorama evolutivo.

Já no âmbito científico, o físico John Tyndall sugeriu que aquele que atentasse à mistura dos elementos químicos corretos poderia atingir a criação de bebês em laboratório. Esse tipo de ideia derivava de uma corrente materialista do pensamento, muitas vezes condenada como uma demonstração de arrogância por parte da ciência ao tentar aplicar seus métodos para tratar de outras áreas do conhecimento.

Hoje, duzentos anos após a publicação da obra máxima de Mary Shelley, seus temas continuam extremamente relevantes. A noção de produção de um ser com características humanas está expressa nas tecnologias que produzem a inteligência artificial, onde cientistas tentam imitar ou superar a capacidade de pensamento humano. Algo semelhante ocorre em se pensando na modificação genética de organismos em laboratórios.

Em Frankenstein, o criador é perseguido e destruído por sua criatura, em uma vingança premeditada e consciente com consequências trágicas para vidas inocentes. No caso de modificações genéticas, ainda que a intenção não seja avaliar até onde o homem pode controlar a natureza, mas buscar soluções para problemas sociais e econômicos, efeitos negativos imprevistos podem surgir a longo prazo.

Uma semente resistente a agrotóxicos introduzida no ambiente, por exemplo, pode, ao viabilizar o uso de agrotóxicos potentes, resultar na contaminação da água e do solo, inutilizando-os futuramente. Pode também diminuir a diversidade genética do local por impedir a proliferação de espécies vegetais e animais (como insetos e anfíbios que dependem do ambiente, agora contaminado) que, mesmo que não interfiram na produção local, seriam essenciais para a preservação da rede de relações ecológicas da região. O efeito de um organismo pode ser estudado e modificado em laboratório, mas seu papel fora deste influencia tantos outros organismos que as consequências só são percebidas muito após sua implementação.

O mesmo raciocínio pode ser aplicado à intenção de trazer animais extintos de volta à vida por meio de amostras de DNA preservadas. As implicações de medidas como essa são ainda desconhecidas, mas pode-se prever que a introdução de um ser em um ambiente ao qual não está adaptado, e que não está preparado para recebê-lo, causará a destruição de outros ou dele próprio.

O monstro de Frankenstein aterrorizou a sociedade preocupada com os efeitos do controle da ciência sobre a natureza, no século XIX, e se torna hoje uma metáfora do uso indiscriminado de tecnologias mecânicas e biológicas sobre a natureza. Como Victor Frankenstein que, por repulsa, abandonou seu monstro em seu laboratório na esperança de que dali sumisse, apenas para ser confrontado pela sua eterna perseguição, nossas tecnologias também voltam a nos desafiar e não podem ser esquecidas uma vez criadas. Resta saber se duzentos anos depois Mary Shelley nos conscientizou sobre que uso fazer de nossas descobertas científicas.

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C. M. Komatz é mestre em História da Ciência, Tecnologia e Medicina, pela University of Leeds, UK, onde estudou a representação do homem de ciência em romances ingleses do século XIX.

G. M. Komatz é mestre em História da Ciência, Tecnologia e Medicina, pela University of Leeds, UK, onde estudou o uso de teorias científicas não ortodoxas na construção de obras de ficção do século XIX.

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REPERCUSSÃO DA OBRA SOBRE A CIÊNCIA MODERNA
Ana Cristina Alves de Paula

Em 2018, o mundo celebra o bicentenário de uma das obras precursoras da ficção científica. São 200 anos de incontáveis edições e releituras do clássico Frankenstein, romance de Mary Shelley (1797-1851), que em pleno século 21 ressalta o debate sobre os limites da ciência.

Retrato de Mary Shelley, por Richard Rothwell, 1840

O livro, marco do romance gótico, verdadeiro ícone do terror e influência fundamental para o surgimento da ficção científica, narra a história de um cientista, o Doutor Victor Frankenstein, que resolve bancar Deus e criar vida a partir de membros de cadáveres. Isso resulta em um novo ser humano, que talvez não tenha espaço em nosso mundo. Mais complexo do que o cinema costuma mostrar, o livro não traz apenas uma trama cativante, mas também uma discussão sobre o papel da ciência na sociedade. Por isso, a obra de Mary Shelley pode ser vista, portanto, como uma das primeiras histórias da literatura que tratam dos problemas da inteligência artificial, ou seja, de “vida” criada a partir da ciência e do conhecimento humano.

A criatura de Frankenstein é considerada o primeiro mito dos tempos modernos

A criatura de Frankenstein é considerada o primeiro mito dos tempos modernos. Sua característica mítica transcende a narrativa e fala ao coração do leitor e à sua humanidade e caminha de mãos dadas com a tragicidade da história que versa sobre o mistério da vida e a perversão do conhecimento; sobre o orgulho cego e a curiosidade desmedida; sobre consequências de escolhas, sobre amor, amizade, sacrifício e caridade… enfim, sobre características demasiado humanas e dramas pelos quais todos passam em suas vidas. A obra ultrapassa o tempo e o espaço ao expressar um conteúdo mais profundo e expor verdades e princípios fundamentais.

MARY SHELLEY: vida e obra

Antes de iniciar a análise proposta, é importante discorrer um pouco sobre a trajetória da autora da obra Frankenstein, uma vez que sua biografia certamente tem alguma influência na forma como a história de um criador que enfrenta sua criatura é contada.

Mary Wollstonecraft Shelley nasceu em Somers Town, Londres, em 30 de agosto de 1797. Filha de William Godwin, precursor do movimento anarquista, e Mary Wollstonecraft, uma das pioneiras do movimento feminista, recebeu uma educação pouco comum para uma mulher de sua época, uma vez que sua mãe morreu de forma trágica onze dias depois de dar à luz e, sob a tutela consciente e especializada de Godwin, Mary teve uma infância intelectualmente estimulante, embora emocionalmente carente. Em 1814, aos 16 anos, foi apresentada ao então desconhecido Percy Bysshe Shelley, um dos seguidores políticos de seu pai, que era casado, e em julho daquele ano os dois fugiram para a França. Godwin era completamente contrário ao envolvimento dos dois (GRUPO COMPANHIA DAS LETRAS, s/d, web).

Em dezembro de 1816, Mary e Percy se casam, depois de a primeira esposa de Percy, Harriet, ser encontrada morta em um lago, com suspeitas de suicídio (as causas nunca foram devidamente esclarecidas). O casamento oportunizou a Mary a convivência com grandes escritores e intelectuais da sociedade britânica, entre eles o também poeta Lord Byron – que se tornaria seu grande amigo (GRUPO COMPANHIA DAS LETRAS, s/d, web).

Mary concebeu o célebre romance de terror, Frankenstein ou o Prometeu Moderno, no verão de 1816, quando tinha apenas 19 anos. Ela e seu futuro marido foram passar o verão à beira do Lago Léman, na Suíça, onde também se encontrava o amigo Lord Byron. Forçados a permanecer confinados por vários dias em um ambiente fechado diante das hostis tempestades, anormais para a época e o local, os três e mais outro hóspede da casa na vila Diodatti, o também escritor e médico pessoal de Lord Byron, John William Polidori, passavam o tempo lendo uns para os outros histórias de horror, principalmente histórias de fantasmas alemãs traduzidas para o francês (GRUPO COMPANHIA DAS LETRAS, s/d, web).

O romance é narrado através de cartas escritas pelo capitão Robert Walton para sua irmã

Lord Byron então propôs que os quatro escrevessem, cada um, uma história de fantasmas. Byron produziu “Um fragmento”, o qual mais tarde inspirou John Polidori a escrever O Vampiro, que seria a primeira história ocidental contendo o vampiro como conhecemos hoje, e que décadas depois inspiraria Bram Stoker em Drácula. Porém, passados vários dias, Mary, que ainda não conseguira criar uma história, ao ouvir uma conversa entre Percy e Byron acerca de teorias sobre correntes elétricas e corpos que poderiam voltar a ser animados muito após a morte, conjecturou a possibilidade da existência de uma criatura cujos membros viessem de diversas pessoas, que pudesse voltar a respirar e levar uma vida como a de um ser humano gerado no ventre. E esta mesma curiosidade passa da vida real ao papel, para Victor Frankenstein, a criatura primordial de Shelley (FERNANDES, 2017, web).

Mesmo competindo com grandes gênios da literatura universal, Mary redigiu uma das mais impressionantes histórias de horror de todos os tempos. A história do Dr. Victor Frankenstein e da monstruosa criatura por ele concebida vem fascinando gerações desde que foi publicada há mais de duzentos anos. Brilhante história de horror, escrita com fervor quase alucinatório, Frankenstein representa um dos mais estranhos florescimentos da imaginação romântica (L&PM EDITORES, s/d, web).

A primeira edição da obra foi publicada em 1818 e não continha o nome da autora, somente um prefácio escrito por Percy Bysshe Shelley, seu noivo, e uma dedicatória a William Godwin, seu pai. Os críticos não receberem muito bem a obra. A publicação The Quarterly Review descreveu a obra como “um retalho de absurdos horríveis e repugnantes”. Apesar das críticas desfavoráveis, a edição teve um sucesso de público quase imediato. Ficou bastante conhecida, principalmente depois que foi adaptada para o teatro, e a obra foi traduzida para o francês (OCEANO DE LETRAS, 2008, web).

Acredita-se que a autora, ao desenvolver a relação tensa e conflituosa entre criador e criatura, na verdade, fazia uma metáfora sobre sua própria vida. Em Frankenstein, o nascimento é ambiguamente criativo e destrutivo. O monstro incorpora o desejo de glória de Victor e a corrupção perpetrada pelo cientista para alcançar seu objetivo. Esses traços dos personagens principais seriam, então, uma metáfora para a vida de Shelley, que nasceu da morte e encontrou dificuldade em alcançar um de seus desejos: gestar e gerar vida (MOREIRA, 2017, web).

Seis anos após se casarem, Percy morreu afogado no naufrágio de seu barco Ariel numa tempestade na Itália, onde viveram entre 1818 e 1822. Mary voltou com Percy Florence, único dos quatro filhos do casal que sobreviveu, para Londres, onde continuou a viver como escritora profissional até sua morte, em razão de um câncer cerebral, em 1o de fevereiro de 1851, em Chester Square, com 53 anos (GRUPO COMPANHIA DAS LETRAS, s/d, web).

Ela escreveu mais de 20 livros em sua vida, entre os quais se destacam Matilda (1819), Valperga (1823), The Last Man (1826), The Fortunes of Perkin Warbeck (1830), e as novelas Lodore (1835) e Falkner (1837), além de várias colaborações, com contos e ensaios. Também publicou obras póstumas de seu marido e a primeira edição coligida da sua poética, mas nenhuma publicação alcançou o mesmo sucesso de sua obra de estreia. Ela criou uma obra-prima do terror, que até hoje apavora os leitores e influencia novos autores (GRUPO COMPANHIA DAS LETRAS, s/d, web).

O ROMANCE FRANKENSTEIN

Numa época de profundas transformações, Mary cria a história de um médico, Victor Frankenstein, que tenta dar vida à sua criação, burlando a lei divina. O livro, finalizado em 1817, foi publicado em 1o de janeiro de 1818 por uma pequena editora de Londres, a Lackington, Hughes, Harding, Mavor & Jones, após ter sido rejeitada por duas outras editoras.

O romance é narrado através de cartas escritas pelo capitão Robert Walton para sua irmã enquanto ele está ao comando de uma expedição náutica que busca achar uma passagem para o Polo Norte. O navio comandado por ele fica preso quando o mar se congela, e a tripulação avista a criatura de Victor Frankenstein viajando em um trenó puxado por cães. Quando o mar se agita, liberando o navio, a tripulação avista e resgata o moribundo Doutor Victor Frankenstein. Ao ser recolhido, o médico passa a narrar sua história ao capitão Walton, que a reproduz nas cartas à irmã. A história do capitão Walton é chamada de narrativa moldura, técnica narrativa que se refere ao processo de inserir, dentro de uma história inicial, uma outra história.

Página da primeira edição do livro, de 1818

Victor inicia a narrativa descrevendo sua infância e vida familiar, dando destaque ao seu prematuro interesse pelas ciências naturais e ocultas, como a alquimia e a necromancia. Aos 17 anos de idade vai estudar na Universidade de Ingolstadt, na Alemanha. Empenhado em descobrir os mistérios da criação, Victor estuda febrilmente e acaba descobrindo o segredo da geração da vida – como dar vida a corpos inanimados –, o qual se recusa a detalhar ao seu interlocutor.

Sacrificando o contato com a família e a própria saúde, Victor se dedica a criar um ser humano perfeito, de estatura gigantesca, a partir de membros de cadáveres, e após dois anos, obtém sucesso. Assim que alcança sua meta, é tomado por um sentimento de horror; ele se enoja com sua criação e acaba abandonando-a, fugindo. Todavia, o reencontro entre criador e criatura é inevitável.

Frankenstein passa a se sentir culpado por ter criado o monstro, e o segredo e a culpa passaram a torturá-lo. Lutando contra o desespero, ele decide escalar o Monte Branco e, durante a subida, é encontrado por sua criatura, que é surpreendentemente articulada e eloquente.

O livro deu origem a toda uma linha da literatura de horror e de ficção científica

O monstro conta sua história, narrando como fugiu do laboratório de Frankenstein para uma floresta próxima, onde aprendeu a comer frutas e vegetais, e a manipular o fogo. Porém, ao encontrar seres humanos, fora escorraçado e agredido, decidindo se esconder no depósito de lenha anexo a uma cabana, na qual vivia uma pobre família, composta por um pai cego e um casal de irmãos, pelos quais se afeiçoa. Das frestas na parede a criatura observa a vida deles e aprende a língua e a escrita e passa a entender os sentimentos humanos. Quando finalmente toma coragem para se apresentar à família, a criatura consegue conversar com o pai cego, mas quando os filhos a veem, escorraçam-na e fogem para sempre da cabana.

A criatura se torna amargurada e decide procurar seu criador, matando uma pessoa do círculo familiar de Victor. Ao encontrá-lo e terminar sua história, o monstro exige a promessa de que o doutor construa uma companheira para ele, prometendo, por sua vez, deixar a humanidade em paz e ir viver com a sua noiva nas selvas sul-americanas. Caso o cientista se recusasse, o monstro promete fazê-lo passar por tormentos inimagináveis. Extremamente contrariado, Victor concorda. Ele começa a nova criação, mas muda de ideia, temendo criar uma raça de monstros que pudesse se virar não só contra ele, mas contra toda a raça humana. Após fazer várias considerações, Frankenstein decide que ele tem que sofrer as consequências por seus atos e não a humanidade, destruindo a criatura incompleta. O monstro acompanha o ato, e jura se vingar, assassinando seu amigo e sua noiva. Buscando retaliação, o criador passa a perseguir a criatura, que o leva através de uma longa caçada em direção ao norte, prosseguindo pelos mares congelados, onde eventualmente são avistados pelo capitão Walton e sua tripulação.

Victor, já bastante doente, acaba morrendo. O capitão Walton então surpreende a criatura na cabine, no leito de morte do doutor, pranteando seu criador. Ela diz para Walton que não havia mais o que temer pois seus crimes terminaram com a morte de Frankestein, prometendo ir ao extremo Norte e lá ela cometer suicídio, trazendo paz aos humanos.

Embora a cultura popular tenha associado o nome Frankenstein à criatura, esta não é nomeada por Mary Shelley. Ela é referida por seu criador como “desgraçado”, “demônio”, “monstro” e “criatura”. Somente após o lançamento da série cinematográfica Frankenstein pela Universal Studios na década de 1930 é que o público passou a assim nomear a criatura, interpretada por Boris Karloff, que deu um rosto definitivo à criatura no imaginário popular.

A sinopse dessa obra de horror ultrapassou gerações e rendeu diversos outros produtos culturais além dos filmes, como livros, séries e até desenhos, servindo de inspiração para a imaginação de artistas como Tim Burton, nos filmes Edward Mãos de Tesoura e Frankenweenie; os monstros da Universal Studios e da Hammer Films; a comédia musical de horror The Rocky Horror Picture Show; a coleção The Frankenstein Monster, publicada pela editora Marvel; a série Penny Dreadful; e desenhos clássicos como A Família Addams e Scooby-Doo, entre outros.

Mary Shelley se inspirou nas macabras experiências do médico Erasmus Darwin, que tentara, no século anterior, reanimar mortos usando eletricidade. O cientista real foi uma das fontes de inspiração para a criação do assustador Doutor Frankenstein, que deu vida a um ser monstruoso criado a partir de pedaços de defuntos.

A narrativa é influenciada pelo mito grego de Prometeu, semideus, um dos Titãs, e irmão de Atlas. É ele considerado o criador da humanidade, a qual teria modelado com água e terra. Segundo a mitologia, Prometeu roubou o segredo do fogo, reservado aos deuses, para revelá-lo à humanidade, ensinando aos homens várias artes úteis; por essa razão, foi punido por Zeus. Atado a uma rocha, ficou exposto aos ataques de uma águia, que lhe devorava continuamente o fígado. Depois de 30 anos ou 30 séculos, foi libertado por Hércules. O tema apareceu pela primeira vez na Teogonia, poema épico do grego Hesíodo, e inspirou Ésquilo na belíssima tragédia Prometeu acorrentado.

Victor Frankenstein é o Prometeu moderno de Mary Shelley, uma vez que faz uso da ciência para roubar da natureza o poder sobre a vida e a morte. A punição para o seu ato de desafio a Deus é ser perseguido pelo monstro e pelas desgraças que ele tanto se empenha em provocar na vida do seu criador.

Mary Shelley também se inspirou na obra Paraíso Perdido, uma versão da história cristã da “queda do homem”, de autoria do poeta inglês John Milton, que aborda a criação do homem e sua subsequente queda. A influência é explícita tanto através da epígrafe, que cita três versos do poema, quanto na menção pela criatura de ter sido um dos livros por ela lidos. A queda, ou a ruína, está na destruição física e moral de Victor Frankenstein.

O livro deu origem a toda uma linha da literatura de horror e de ficção científica e continua a ser uma das obras mais lidas de seu tempo, além de ter sido adaptada várias vezes para o cinema. De acordo com uma citação do jornal BBC Brasil, de Patricia MacCormack, professora de Filosofia da Universidade Anglia Ruskin, no Reino Unido, e autora de estudos sobre obras de terror,

As boas versões cinematográficas trazem a mesma visão crítica sobre a vida, a nossa busca por propósito e os papéis que desempenhamos. O monstro não escolheu existir e questiona sua própria existência: “Como me torno uma boa pessoa?” (BBC BRASIL, 2018, web).

Todavia, a maior parte dos filmes estabeleceram a ideia de Frankenstein como a história de um monstro assassino e irracional criado pelo homem. Mas a criação de Shelley era bem diferente, como acima desenvolvido.

De qualquer forma, mais uma adaptação deve chegar em breve: em 2017, mais de um século depois da primeira versão cinematográfica – que é de 1910 (de Searle Dawley), quando o protagonista ainda nem tinha seus característicos parafusos no corpo e a pele esverdeada –, a Universal anunciou nova produção inspirada em Frankenstein, com previsão de lançamento em 2019.

Boris Karloff, no filme
A noiva de Frankenstein (1935)

Coaduna-se neste trabalho com o pensamento de Sorcha Ni Fhlainn, palestrante de Estudos de Cinema da Universidade Metropolitana de Manchester, no Reino Unido, e integrante do Centro de Estudos Góticos de Manchester, citada pelo jornal BBC Brasil, para quem o livro “nos fascina porque fala da relação entre vida e morte”. De fato, “a morte é absoluta. Então, a ideia de que você pode reanimar a carne é ao mesmo tempo chocante e arrebatadora” (BBC BRASIL, 2018, web).

Temas abordados ao longo do romance e impacto na comunidade científica

Surgido após um período de grande avanço das ciências, o movimento romântico foi em boa parte uma reação à ideia do universo concebido como máquina e ao advento da Revolução Industrial, com suas máquinas e poluições, que tornavam a sociedade cada dia mais distante da felicidade dos campos e do modo de vida artesanal. O contexto histórico do sentimento de descrença, que ficou conhecido como “mal do século”, observado no início do século 19, promoveu grande pessimismo e introspecção na literatura.  Frankenstein foi a mais contundente crítica a esse novo cientificismo, que tudo desejava explicar e dominar, prestando-se a múltiplas interpretações e leituras.

A melancolia, a dor existencial e o isolamento que pairam por toda a obra e o resgate dos temas naturais são referências claras à primeira fase do romantismo inglês. As diretrizes do estilo combinadas com o clima tenso e soturno culminam no sofrimento e na morte dos personagens do clássico de Mary Shelley.

A melancolia, a dor existencial e o isolamento são referências claras à primeira fase do romantismo inglês

A estratégia dos românticos foi redirecionar o foco para a alma individual. Se Lord Byron fez isso da maneira mais exacerbada, Mary Shelley criou uma obra que questiona a moralidade e a responsabilidade da ciência. A falha de caráter do cientista, que o corrompe e o leva à criação do monstro, também está associada à escola literária da qual o livro faz parte (MOREIRA, 2017, web).

O poder exercido pela humanidade sobre a natureza através da ciência e da tecnologia, a inevitabilidade do destino e a relação de criatura e criador são outros temas principais da obra, que se encaixam no espírito da época.

PARALELO ENTRE FRANKENSTEIN E A MODERNIDADE – HÁ UM LIMITE PARA AVANÇOS CIENTÍFICOS?

Uma análise detida do romance reforça a ideia de Frankenstein ser uma história moral. De acordo com Márcia Xavier de Brito, a ambição desordenada, o desejo não contido pelo conhecimento a qualquer preço, um senso de cumprimento de destino e o perigo de isolar-se do amor e da amizade ameaçam transformar qualquer homem em monstro. Essa monstruosidade tem sido uma constante na atualidade.

Vivemos uma cultura de morte, de subjetivismo, de louvor à técnica e à ciência sem limites. Victor Frankenstein é um contraexemplo e nos faz ficar vigilantes para os elementos monstruosos de egoísmo, orgulho e autossuficiência que trazemos dentro de nós (CASTRO, 2017, web).

Fotografia de Boris Karloff nas filmagens de A noiva de Frankenstein (1935)

Se o romance for lido como uma fábula moderna, adverte também para os riscos do orgulho intelectual desmedido, visto que a ideia da possibilidade de descobrir o mistério da vida pela ciência povoava o imaginário do início do século XIX (CASTRO, 2017, web).

O Jornal do Brasil explana que, uma década após o lançamento, em 1828, surgiu a primeira referência científica de Frankenstein em um artigo sobre a formação de embriões. Escreveu em um artigo o então obstetra James Blundell, primeiro médico a realizar uma transfusão sanguínea:

“Imitamos muitas ações da natureza, mas podemos esperar algum dia imitar esta também? E aqui, me abstenho de continuar, preocupado de que entre as cabeças de vocês esteja a ideia de que eu quero tornar real a extravagante obra e levar Frankenstein para a realidade” (JORNAL DO BRASIL, 2018, web).

Ainda de acordo com o jornal, a revista Science recordou as inspirações do romance de Shelley para a invenção do marcapasso eletrônico, criado por Earl Bakken. No entanto, sem mencionar as referências ao livro, a ciência está a ponto de recriar um “monstro moderno”. Desde o primeiro órgão transplantado – um rim em 1950 – os estudos médicos avançaram muito, tanto é que agora é possível transplantar pele e cartilagem, além de existirem casos de transplante de rosto. Alguns cientistas afirmam que até o “transplante de cabeça” seria possível. Além disso, há a criação de órgãos artificiais – alguns criados por impressoras 3D – e membros mecânicos cada vez mais realistas conectados ao cérebro (JORNAL DO BRASIL, 2018, web).

O conhecimento científico é o resultado de uma construção progressiva. São formas de entendimento que se sucedem no tempo e que se aperfeiçoam, realizadas principalmente a partir dos esforços da cultura do século XVI. O apelo da racionalidade científica e do “paradigma científico dominante”, um sistema de conhecimentos tido como objetivo, universal e determinista, traduz-se nessa confiança quase absoluta que se tem na capacidade de previsão da ciência. Apesar do seu aparente sucesso, que se evidencia pelos fantásticos avanços tecnológicos vividos nas últimas décadas, este paradigma parece estar hoje vivendo seus últimos momentos (KANSO, 2012, web).

Frankenstein é um ensaio sobre a prepotência humana e a solidão em sociedade

Em 1929 o filósofo e educador John Dewey, criador da Educação Progressiva e um dos pais da Filosofia do Pragmatismo nos Estados Unidos, cunhou a seguinte frase, contextualizada pela revista Veja: “Todo grande avanço da ciência surge de uma audácia da imaginação” (VEJA, 2016, web). Basta citar a polêmica em torno das experiências em clonagem e das pesquisas com células-tronco, que se destacam como possibilidades inspiradas pelo livro de Mary Shelley, e que vieram a reacender a velha discussão sobre os limites da ciência. O projeto Genoma Humano, iniciado na década de 1990, também foi duramente criticado. Na época, dizia-se que os cientistas tentavam “brincar de Deus”. O tempo mostrou, no entanto, que a liberdade da ciência em escolher o estudo dos genes estava certa, uma vez que a técnica da clonagem é de amplo uso comercial na melhoria de rebanhos, as terapias gênicas já curaram em cobaias doenças como daltonismo, distrofia muscular e cardiomiopatia e as pesquisas com células-tronco evoluíram muito (VEJA, 2016, web).

De tempos em tempos, e cada vez mais frequentemente, a divulgação de novos avanços científicos e tecnológicos causa impactos na opinião pública e reacende a polêmica sobre as precauções que se fazem desejáveis no ordenamento e no balizamento dos limites que a sociedade deseja impor à capacidade humana de avançar no desconhecido e a velocidade com que se deve incorporar as novas técnicas daí resultantes (MARQUES, s/d, web).

Curta-metragem de 1910 foi a primeira adaptação cinematográfica de Frankenstein. O elenco incluiu Augustus Phillips como o Dr. Frankenstein, Charles Ogle como o monstro de Frankenstein e Mary Fuller como noiva do médico

Neste contexto surgiu o Biodireito, conceituado por Maria Gabriela Damião de Negreiros como o conjunto de regras jurídicas já positivadas e voltadas a impor – ou proibir – uma conduta médico-científica e que sujeitam seus infratores às sanções por elas previstas. Para o Biodireito, a vida não pode ser vista apenas como mera sobrevivência física. Por isso, o respeito à dignidade da vida humana, bem como aos direitos humanos e fundamentais, deve estar sempre presente no ordenamento jurídico de todas as sociedades (NEGREIROS, 2018, web).

Preservar a liberdade científica não significa, obviamente, que o trabalho dos cientistas não esteja sob constante avaliação. Depois que experimentos realizados em cobaias humanas durante a Segunda Guerra Mundial vieram à tona e chocaram o mundo, comitês e comissões de ética criados pela sociedade científica procuram nortear a pesquisa (VEJA, 2016, web).

Muitos pesquisadores afirmam que o limite da ciência está, justamente, em quando ela deixar de buscar o benefício e o progresso da humanidade. Fato é que as restrições do que deve ou não ser estudado podem impedir o avanço da ciência e a transmissão de conhecimento. Assim, cabe à sociedade como um todo discutir o enquadramento ético na ciência, principalmente das manipulações biológicas decorrentes da engenharia genética, sem cerceamento da liberdade científica, discutindo ampla e democraticamente todos os aspectos que lhe são inerentes. É necessário, portanto, ser favorável aos estudos realizados com o fim único de trazer benefícios à humanidade, desde que avaliados por comissões que garantam sua realização dentro de preceitos éticos, pois a liberdade de conhecimento é e deve permanecer um bem inexorável.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Mary Shelley apresenta uma fantástica filosofia em forma de romance. Frankenstein é sem dúvida o maior clássico de terror de todos os tempos. É também um ensaio sobre a prepotência humana e a solidão em sociedade. Cego em seu propósito de dar vida à matéria inanimada, o cientista Victor Frankenstein constrói um ser monstruoso a partir de restos humanos – mas, quando enfim alcança o resultado pretendido, foge de sua própria criação. Abandonada e fadada ao desterro e à rejeição, a criatura passa a perseguir o cientista e, depois, a buscar vingança.

A obra também é um triunfo da imaginação, pondo em derrocada o preconceito contra a mulher enquanto ser criativo e participativo, pois se trata de um romance com teor filosófico existencial e se encaminha para quase dois séculos de inventiva aventura do espírito humano.

O romance atravessou dois séculos sem perder a capacidade de arrepiar o leitor e advertir para os perigos da ciência e da busca desmedida por conhecer o mistério da vida. É por isso que sua criação tem ainda hoje um significado importante, visto que as descobertas da ciência moderna para prolongar, modificar ou criar vida evocam as mesmas questões sobre o que é a vida e o que é o ser humano.

O romance atravessou dois séculos sem perder a capacidade de advertir para os perigos da ciência

Como ocorre em toda inovação científica, vem à tona o imbróglio acerca dos limites da ciência; até onde suas pesquisas podem adentrar para a melhoria da qualidade de vida sem que isso interfira na vida de alguns indivíduos; o livre arbítrio do ser humano; e o princípio da dignidade da pessoa humana. Deve-se assegurar a todas as ciências, independentemente do seu objeto, o direito ao estudo de qualquer tema, seja ele complexo ou não, pois somente assim uma nação consegue progredir, por meio da ciência e das soluções dela emanadas. Todavia, a pesquisa tem de estar regulamentada e embasada na legislação. Afinal, os cientistas, diante das inúmeras possibilidades de ocorrência de erros durante os procedimentos, sabem que podem dar lugar a algo “monstruoso”, como aconteceu com Frankenstein.

Ilustração do livro,
Dr. Frankestein trabalhando em seu laboratório

Faz-se necessário ter uma visão interativa e contextualizada das relações entre ciência, tecnologia, e sociedade, o que implica um nível de responsabilidade individual e coletiva muito mais acentuado que o dos tempos anteriores. O reconhecimento do homem como centro do ordenamento jurídico acarreta a necessidade obrigatória da preservação de sua autonomia e dignidade, pois, acima dos interesses da ciência e da sociedade, deverá estar o ser humano.

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Ana Cristina Alves de Paula é mestranda em Direito pelo Programa de Pós-Graduação da Unesp (Câmpus de Franca/SP), especialista em Direito Tributário pela PUC Minas e graduanda em Letras (Português/Francês) pela Unesp (Câmpus de São José do Rio Preto/SP). É entusiasta das relações entre literatura e direito. Colaboradora do site http://www.linguaticorum.com.br/ Contato: a.cris.direito@gmail.com

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Frankenstein interativo
Pedro Panhoca da Silva

2018 é o ano em que a obra Frankenstein completa 200 anos de publicação. Escrever sobre sua autora – Mary Shelley – e essa obra-prima da Literatura seria fazer desse mais uma homenagem. Por isso, cinco livros interativos baseados nesse clássico serão o foco aqui:

1) The Mystery of the Phony Frankenstein (vários autores, série Can You Solve the Mystery?, 1985): Cada volume nesta série traz ao leitor vários mistérios para serem resolvidos, e suas ilustrações internas contêm pistas adicionais para as soluções. As respostas se encontram na parte de trás de cada livro.

2) The Curse of Frankenstein (Alessandra Dugan, série Horror Classics, 1987): Narrativa que separa os capítulos em duas seções, uma dedicada a descrever os locais e a outra dedicada às escolhas que o leitor fez. Os enigmas que esse livro oferece são excelentes e divertidos, sem serem muito complexos.

3) Groucho Marx contro Frankenstein, La Mummia e il Vampiro sulla nave pirata in mezzo alla tempesta (Beniamino Sidoti, 1996): livro-jogo (RPG para ser jogado sozinho, ou seja, o jogador e o livro apenas) com temática voltada para o horror no melhor estilo “Mansão mal-assombrada”. Ganhou uma versão em inglês em 2003 pela On-A-Stick-Publications com o título de Mucho Graxxias versus Frankenstein, the Mummy and the Vampire on the Pirates’ Ship in a Perfect Storm.

4) Detective Frankenstein (Alaya Johnson, série Twisted Journeys, 2011): O desaparecimento do melhor amigo do leitor o coloca na busca de um cientista louco que está transformando os moradores da cidade em criaturas parecidas com o monstro de Frankenstein. Essa aventura de terror possui uma trama mais detalhada do que a maioria dos livros-jogos, o que deixa sua leitura um pouco menos interativa que a dos demais, mas não tira seus méritos. Além disso, possui o trunfo da série Twisted Journeys ao combinar prosa e painéis de quadrinhos coloridos como atrativos e diferenciais das demais obras sobre esse clássico.

5) Frankenstein (Dave Morris, 2012): Novela interativa que coloca o leitor dentro da história, atuando como confidente, guia e consciência de Frankenstein. Seguindo e adaptando o texto original de Mary Shelley, Frankenstein é uma nova experiência de leitura projetada desde o início para dispositivos móveis e escrita usando a plataforma inklewriter.

Isso faz Frankenstein ser um livro “imortal”: conhecer diversas novas versões e releituras que o deixam sempre atualizado e apreciado por novos leitores.

REFERÊNCIAS

BBC BRASIL. O que explica nosso fascínio com Frankenstein, 200 anos após sua criação? Disponível em: < http://www.bbc.com/portuguese/geral-42537245>. Acesso em: 1 fev. 2018.

CASTRO, Eliana de; BRITO, Márcia Xavier de. Frankenstein adverte para o orgulho intelectual desmedido. Disponível em: <http://faustomag.com/marcia-xavier-de-brito-frankenstein-adverte-para-o-orgulho-intelectual-desmedido/>. Acesso em: 1 fev. 2018.

FERNANDES, Laís. Frankenstein: o monstro do machismo na vida e na obra de Mary Shelley (resenha). Disponível em: <http://deliriumnerd.com/2017/03/08/frankenstein-mary-shelley/>. Acesso em: 1 fev. 2018.

GRUPO COMPANHIA DAS LETRAS. Mary Shelley. Disponível em: <https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=00470>. Acesso em: 1 fev. 2018.

JORNAL DO BRASIL. Após 200 anos, Frankenstein ainda ‘assusta’ a ciência. Disponível em: <http://www.jb.com.br/cultura/noticias/2018/01/29/apos-200-anos-frankenstein-ainda-assusta-a-ciencia/>. Acesso em: 1 fev. 2018.

KANSO, Mustafá Ali. Os limites da ciência. Disponível em: <https://hypescience.com/os-limites-da-ciencia/>. Acesso em: 1 fev. 2018.

L&PM EDITORES. Mary Shelley. Disponível em: <http://www.lpm.com.br/site/default.asp?TroncoID=805134&SecaoID=948848&SubsecaoID=0&Template=../livros/layout_autor.asp&AutorID=906271>. Acesso em: 1 fev. 2018.

MARQUES, Edmundo Kanan. Bioética: a necessidade da bioética no limiar do novo milênio. Disponível em: <http://www.ciee.org.br/portal/estudantes/pdf/BIOETICA1.PDF >. Acesso em: 1 fev. 2018.

MOREIRA, Matheus. ‘Frankenstein’ está no imaginário das pessoas. Mas você conhece de fato a obra? Disponível em: <https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/03/10/%E2%80%98Frankenstein%E2%80%99-est%C3%A1-no-imagin%C3%A1rio-das-pessoas.-Mas-voc%C3%AA-conhece-de-fato-a-obra>. Acesso em: 1 fev. 2018.

NEGREIROS, Maria Gabriela Damião de. Bioética, biodireito e meio ambiente. Disponível em: <http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php/%3Fn_link%3Drevista_artigos_leitura%26artigo_id%3D12071%26revista_?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=10399&revista_caderno=6 >. Acesso em: 1 fev. 2018.

OCEANO DE LETRAS. Mary Shelley (Frankenstein). Disponível em: <https://nuhtaradahab.wordpress.com/2008/04/13/mary-shelley-frankenstein/>. Acesso em: 1 fev. 2018.

SHELLEY, Mary. Frankenstein. Trad. Bruno Gambarotto. São Paulo: Hedra, 2013.

VEJA. Existe limite para a pesquisa científica? Disponível em: <https://veja.abril.com.br/ciencia/existe-limite-para-a-pesquisa-cientifica/>. Acesso em: 1 fev. 2018.

Pedro Panhoca da Silva é mestrando em Literatura do programa de Pós-Graduação em Letras da Unesp – Câmpus de Assis. Atualmente é professor de Leitura e Produção de Textos da Fundação Hermínio Ometto (UNIARARAS).

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