Cândido Mota/SP

O Programa MHIMU – Museus e História dos Municípios – desenvolve ações educativas e técnicas em parceria com prefeituras e órgãos públicos, universidades, escolas, instituições culturais, entidades sociais e a população local. É resultado de Projeto de Extensão Universitária realizado
em 2015

município de Cândido Mota localiza-se no vale do rio Paranapanema, região oeste do estado de São Paulo. A incorporação dessa área à ordem econômica foi promovida pela cafeicultura que, entre fins do século XIX e as primeiras décadas do século XX estimulou a conquista da terra, o desflorestamento, a expulsão e o massacre de populações indígenas que habitavam o vale. A chegada da ferrovia Sorocabana, em 1907, e a construção da paragem próxima ao córrego Jacu influenciou o povoamento da área. Em 28 de dezembro de 1923 foi criado o município de Cândido Mota, desmembrado do município de Assis. Atualmente conta com cerca de trinta mil habitantes.

Ainda é possível localizar, entre os moradores, descendentes diretos das primeiras famílias instaladas na região, trazendo na memória o processo de formação dessa cidade. Como é comum a muitos municípios do interior paulista, Cândido Mota também se desenvolveu nos arredores da Igreja Católica Matriz, construída em 1913, em estilo com influência românica, localizada na praça central “Monsenhor David”.

Neste período, antes da construção e propagação das rodovias, o principal veículo de transporte a longas distâncias foi o trem. Em nível local, a mobilidade que a atração urbana exercia era suprida diretamente pela tração animal e montarias. A Estação Ferroviária atraía para seu entorno casas de comércio, hospedarias e outros serviços para atender as demandas do fluxo de pessoas.

Após três décadas de sua emancipação, Cândido Mota contava com serrarias, máquina de beneficiamento de arroz, café e fubá, matadouro, selaria, oficina mecânica para o crescente número de automóveis, dentre outros estabelecimentos registrados no vídeo A bela cidade de Cândido Mota, produzido pela Metrópolis Filmes do Brasil, em 1950.

Nos anos de 1990 a praça “João XXIII” era bastante frequentada. Os moradores, por vezes imbuídos de sentimento nostálgico, empreendiam a venda de comidas em bancas e carrocinhas espalhadas por aquele espaço. Em particular, durante o mês de dezembro a praça ganhava realce com a decoração e as luzes natalinas.

Ao caminhar pela urbe nota-se que a região central é composta por ruas largas traçadas para facilitar a passagem de carros de boi e cavalos, muito comuns nos primeiros anos de florescimento do município. As ruas adjacentes e bairros novos já apresentam vias mais estreitas, alinhadas com a disseminação dos automóveis.

É comum encontrarmos, tanto nas ruas quanto nas construções, grossa camada de poeira vermelha, um indicativo da proximidade com terrenos explorados por intensa agricultura. A principal fonte de riqueza da cidade de Cândido Mota é oriunda da terra roxa, rica em húmus e sais minerais, resultante da desagregação das rochas de origem vulcânica. Esse solo avermelhado fundamentou uma expressão muito comum na região ao aludir à cidade, o termo “Gigante Vermelho”, nome da festa anual do peão de boiadeiro. Expressão que ficou popular com a música raiz composta por Moraci Teodoro Ramos e Peão do Valle, intitulada “Terra Roxa de Paixão”, exaltando o rodeio, o solo fértil e o carisma das pessoas dessa cidade à época dos oitenta e cinco anos de sua emancipação: “É assim Cândido Mota terra roxa de paixão”.

Outra manifestação que expressa a relação da sociedade local com o entorno agrícola e que o incorpora nas práticas cotidianas e comunitárias, é a Festa do Milho. Realizada anualmente na rua Ângelo Pipolo, orientada pela comunidade católica e pelos movimentos pastorais.

Correndo por trinta quilômetros em terras desse município, o rio Paranapanema é uma atração à parte, recebendo pessoas da área urbana e da região. A pescaria e a natação são atividades de recreação em contato direto com o rio. Famílias de condições financeiras privilegiadas constroem casas nas proximidades para passar os finais de semana e períodos de férias.

Apesar de uma frequente modernização nas edificações, ainda é possível encontrar antigas construções datadas do início do século XX, como por exemplo, o Hotel Vieira. Construído em 1927, ainda preserva parte de suas características arquitetônicas originais. Estrategicamente localizado em frente à então movimentada Estação Ferroviária e ao lado dela uma madeireira que ajudava a impulsionar a economia da cidade. Nos dias de hoje, a Estação Ferroviária está desativada e não há mais atividade correlacionada às primeiras funções. Houve uma remodelação no design e abriga projetos da prefeitura, uma feira de artigos artesanais chamada “Estação das Artes” e, durante a noite, todas as quintas-feiras, a comunidade volta-se para uma feira cultural e culinária denominada “Feira de Lua”.

Os bairros de Cândido Mota, quase todos com nomes de padroeiras, nos contam um pouco sobre seus moradores. Povo de origem humilde, voltado para o comércio e para a agricultura, de compreensões fundamentadas na tradição da religião católica. É comum ver nas casas, cravada nos muros, uma pintura feita em um único azulejo em homenagem a Nossa Senhora. As primeiras casas levantadas em torno da Estação Ferroviária, assim como o primeiro posto policial e a primeira escola do povoado, eram todas de madeira. Com certeza, pode-se atribuir isso às atividades agrícolas e à madeireira que facilitava o acesso à mateira-prima, barateando as construções.

No momento presente, com os excessos de tecnologia atrelados à urbanização, as antigas casas de madeira deram lugar a casas de alvenaria. Antigamente, estas eram exclusividade dos indivíduos privilegiados economicamente. Hoje foram incorporadas ao pequeno comércio ou prédios públicos, como a escola Helena Pupim Albanez, edificada em meados da década de 1950. Também é possível notar o progresso na própria Estação, na metade do século XX ela abrigou a primeira rodoviária, e para facilitar o deslocamento dos visitantes e moradores que chegavam havia pontos reservados para charretes e táxis. Foi apenas no final dos anos 1970 que o município contou com uma área própria para o Terminal Rodoviário, direcionando uma nova zona urbana.

A cidade também faz uma singela homenagem aos entes queridos que ali viveram: uma tradicional Avenida da Saudade. Outra avenida de importância liga o centro urbano ao monumento de entrada da cidade, um portal onde os capitéis das colunas são inspirados na arquitetura jônica, dórica e coríntia. A toponímia de Cândido Mota é reservada para homenagear seus moradores, homens e mulheres que contribuíram com a formação do município desde o seu primeiro povoado.

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Jennifer Colombo Estudante de História UNESP/Assis

Informações: www.facebook.com/MHIMU2015/

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