Chefe da Cosa Nostra revela detalhes da operação da máfia

Conversando com Gaspare Spatuzza: um relato de vida, uma história de chacinas; Alessandra Dino. Tradutor: Valéria Pereira da Silva; 327 páginas; R$ 79; Editora Unesp

Após 11 anos de prisão e acusado de mais de 40 homicídios – até atentado a bomba fazia parte da extensa ficha –, Gaspare Spatuzza resolveu colaborar com a Justiça italiana. Esta contribuição provocou reviravolta em casos já considerados resolvidos e um mal-estar nas instituições que, por erro honesto ou má-fé, traçaram outros caminhos para a solução dos crimes. Diante de biografia tão ímpar, restou à socióloga Alessandra Dino reunir as diferentes peças dessa vida: nasce aí Conversando com Gaspare Spatuzza: um relato de vida, uma história de chacinas, lançamento da Editora Unesp.

“Mais que em outras situações, o ‘texto’ que eu tinha em mãos se apresentava fluido e incandescente”, lembra a autora. “É verdade que, no centro de meu interesse, estava o percurso existencial de um só indivíduo; mas eu sabia que a história de Spatuzza – a despeito dele e de qualquer presunção – não era a história de um homem qualquer.”

Foram dois anos de espera até o encontro para o depoimento, cheio de negociações, bastidores e que obedeceu à condição de ser em um local secreto. “Era forte nele a necessidade de falar de si, para dar sentido, solidez e consistência à sua nova identidade, recomposta a duras penas apenas pelo insuficiente ‘relato judiciário’”, lembra Dino. “Após quatro anos de colaboração, ao decidir me encontrar, Gaspare Spatuzza ia em busca de um novo registro para relatar em primeira pessoa ‘sua história’.”

E assim foi. Ao longo de quatro capítulos, com um texto recheado de notas explicativas – necessárias e importantes –, Alessandra Dino percorre os grandes acontecimentos dos anos 1990 na Itália ao lado de seus leitores. Impressiona a vontade de Spatuzza, o “carrasco auxiliar de Brancaccio”, de contar sua versão da história: “Não quero tentar justificar todos os atos ignóbeis que cometi. Quero apenas contar a história de um garoto que jamais soube o que era a liberdade ou o sossego. Aos 12 anos já estava dentro do ambiente da Cosa Nostra, abandonou a escola e foi trabalhar”.

SOBRE O AUTOR

Alessandra Dino ensina Sociologia Jurídica e Sociologia do Desvio na Universidade de Palermo. Ela é membro do Comitê Científico do Narcomafie, dos conselhos editoriais da revista Meridiana e da revista Historia Magistra. Entre suas publicações mais recentes, estão: La violenza tollerata: mafia, poteri, disobbedienza (2006); Pentiti: i collaboratori di giustizia, le istituzioni, l’opinione pubblica (2006); Symbolic Domination and Active Power: Female Roles in Criminal Organizations (2007); Sistemi criminali e metodo mafioso (com L. Pepino, 2008); Criminalità dei potenti e metodo mafioso (2009); Novas tendências da criminalidade transnacional (organização, com Wálter Maierovitch. Editora Unesp, 2010) e Os últimos chefões – Investigações sobre o governo da Cosa Nostra (Editora Unesp, 2013).

Mais informações sobre os livros publicados pela
Editora Unesp estão disponíveis no site
www.editoraunesp.com.br

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