Fantasia renovada

Autor estreia em lendária série de livros–jogos e mantém vivo seu legado

Quem disse que os livros-jogos foram uma literatura interativa do final do século passado? A série Fighting Fantasy, pioneira desse gênero, só vem superando as expectativas do seu público ultimamente. Além de ser reeditada pela terceira vez só neste século (no Brasil também ganhou uma reedição, através da editora Jambô), atualizando novas gerações com os sucessos que encantaram seus pais leitores/fãs de RPG, traz também o mais novo livro-jogo do momento: The Gates of Death, publicado recentemente pela Scholastic Books, uma das principais editoras de livros infantis e infanto-juvenis do mundo.

Esse novo livro em que o leitor decide (ou é forçado) a decidir como o enredo segue, através de suas escolhas ou aleatoriedade obtida num rolar de dados, usa da velha e boa forma de enredo já conhecido por consumidores desses livros que mais parecem um jogo de videogame em páginas de papel: o herói é recrutado para ajudar as pessoas do continente de Allansia (cenário recorrente nos livros-jogos da série Fighting Fantasy), que estão sendo abatidas por uma praga demoníaca. Ele – ou melhor, “você!” – deverá ir ao Templo dos Milagres na Cidade Invisível e enfrentar os lendários Portões da Morte. Do outro lado, a Rainha das Trevas, Ulrakhaar, planeja a destruição do mundo de Titan.

A série se tornou famosa por causa de seus criadores Ian Livingstone e Steve Jackson, que devido a tamanha demanda e sucesso de seus primeiros livros-jogos, buscaram na terceirização de autores contratados uma forma de suprir esse consumo de um público que já necessitava de algo novo na literatura fantástica. Hoje envolvidos em outros projetos e lançando livros-jogos apenas em datas comemorativas (Livingstone lançou o livro-jogo Port of Peril no ano passado, para comemorar o 35o aniversário da série, e Blood of the Zombies, em 2012, em decorrência do 30o aniversário da mesma, enquanto Jackson concentrou-se na adaptação de sua série Sorcery! para plataformas digitais), a série ganha nova vida e um novo “imortal” no seu time de colaboradores: Charlie Higson.

Roteirista e romancista, além de ator e comediante, ficou mais conhecido pela série Young Bond, com um milhão de cópias vendidas e traduzida para 24 idiomas. Higson vem com uma nova visão e, apesar de manter um enredo padrão, busca trazer novidades ao leitor adulto que não se contenta em esperar a cada cinco anos por uma novidade da linha ou em ver reedições do que já conhece e a oferecer mais um novo título a seu público leitor jovem, que passa a conhecer pela primeira vez essa intrigante série. O autor best-seller já revelou em entrevistas que ele próprio era fã da Fighting Fantasy, e que foi um prazer enorme virar parte dela agora.

Seu público espera que, assim como Young Bond entrou para a lista de livros do Department for Children, Schools and Families and the School Libraries Association a fim de incentivar jovens estudantes a ler, Gates of Death também o faça. A fórmula de sucesso o autor já tem, mas será possível com um gênero tão diferente? Esse filme eu já vi uma vez…

Pedro Panhoca da Silva é mestrando em Literatura do programa de Pós-Graduação em Letras da Unesp – Câmpus de Assis. Atualmente é professor de Leitura e Produção de Textos da Fundação Hermínio Ometto (UNIARARAS).

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